quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Delírios


   Nossa como faz tempo que não entro aqui! Seria  o máximo dizer que nesse tempo em que estive ausente, muitas coisas aconteceram. Mas não. Ou talvez, mas nos meus delírios.
Estamos tão acostumados com os extremos. Ou é tudo, ou nada. 8 ou 80. Bem que quer, mal me quer. Ou ele quer me comer, ou quer namorar. Ok, não vamos levar a ideia ao pé da letra,  mas como acreditar nas coisas e no “amor”, quando vemos as amigas se darem mal? Quando sempre tentamos crer que “dessa vez vai” e na verdade não vai. Ou quase vai.
Engraçado que um lado de  mim acredita que tudo vai dar merda. O outro, sempre acredita no amor e na superação do quase. Mas eis  o problema quando independente de lados,  o delírio predomina. Vou explicar....o ruivo surgiu, disse que vai voltar em breve e que quer me ver de novo. Se eu parasse aí, o meu delírio de imaginar a gente vivendo feliz como namorados teria razão de existir. Aliás, antes dele dizer isso, eu já estava num delírio mutcho loco imaginando a volta dele, vibrando a cada curtida dele em um post meu, foto minha, a cada “oi” no whats app...e até pensei “a causa ta ganha”...ai, ai, doce ingenuidade hollywoodiana de mocinha de comédia romântica!

   Mas ele disse que quer me ver pelada...putz...pelada=sexo=sexocasual=voumefuder será? Na primeira vez fiquei sem ação e pareci concordar. Na segunda vez que ele disse isso, deixei claro PELA PRIMEIRA vez na vida, que “delivery, não! Não gosto”. EEEEE consegui! Ele disse  ok. Perguntei: “Te decepcionei na resposta?” Ele: “não” e sumiu por 8 dias. Tempo o suficiente para matar meu delírio de “felizes para sempre”. Fiquei naquele status pós-fora “sou bem resolvida-deu, passou-aprendi, sou mais eu”. Até que.... ele surge, diz que vai voltar mesmo pro Brasil, e que quer me ver de novo. Mas pera. Se eu disse que delivery não e ele quer me ver de novo....? Posso crer que agora vai, ou estou tendo mais um delírio da sardenta?

   É tinder, é sexo casual, foras catastróficos que fico na dúvida se tudo isso é  uma conspiração “pra me comer”, ou se ele quer me ver e  o resto é consequência...Nesses momentos entre razão e emoção, qualquer detalhe faz a diferença “quero te ver de novo” “quero te ver de novo”.  Então so quer me ver mais uma vez? Nossa...to ficando louca!

   Que horas nesse dramalhão mexicano eu fico calma e curto o momento? O que houve com minhas esperanças? A pergunta deveria ser: 

Cadê  o amor? 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

"Paudurescência", "cudocismo" e a geração do “tudo ou nada”

    Esse texto não é  um manifesto, muito menos  um escrito com tendência sexista. Apenas algumas percepções de alguém que descobriu, ou melhor, denominou algumas atitudes recorrentes de alguns homens. Esse texto pode ser, talvez, uma forma de tentar entender a pressa de algumas pessoas, e também, quais atitudes não são nem um pouco sexys, agradáveis  ou saudáveis, quando o assunto é relacionamento. Como sou uma mulher, heterossexual, as denominações presentes no título e texto, se referem aos homens. Mas certamente existem mulheres que possuam essas características. Não sei se alguém “inventou” antes de  mim esses termos “paudurescência” e cudocismo”, mas de qualquer forma, vou explicá-las a minha maneira.

   Vou começar com um história real, vivida por  mim, fato este que chamo de “o dia que disse tudo o que queria dizer a um cara”: Estava numa festa e  um barbudinho LINDO se aproximou de  mim, puxando papo. Repito, LINDO. Papo aqui e ali, ficamos. No meio dos apertos ele me convida pra ir embora e transar. Digo que não posso e dou uma desculpa. Obs: Não foi por moralismo, mas não me senti a vontade em transar com um cara que mal conhecia. Para a minha surpresa, ele saiu. Simplesmente saiu e parou de me beijar e falar comigo. Antes disso tudo, eu disse a ele: ‘hoje não dá, mas  podemos combinar algo outro dia”. Não adiantou e a reação dele foi essa que citei. Eu poderia ter ficado puta, poderia ter me sentido um lixo, poderia ter mudado de ideia e ir  transar com ele.

  Mas não. Pela primeira vez falei tudo o que queria dizer em resposta a essa tendência do “tudo ou nada” de alguns caras que conheci. Fui atrás do barbudinho, e falei: “escuta, pra vc é tudo ou nada?” Ele respondeu que sim com a cabeça, e complementei: “você não é inteligente. Poderia conseguir tudo o que quer,  se usasse mais a cabeça (de cima).” Dei um sorrisinho e saí. Oras, quer dizer então que sou uma vagina gigante? É tudo ou nada? Ou faço o que ele quer, do jeito que ele quer ou caso contrário, sou descartada como uma garrafa de  plástico?

   Já aviso: Ninguém é  obrigado a transar com ninguém, nem comigo. Nem o tal carinha aí. PONTO. Minha “revolta” se refere a atitude. Antes de nos pegarmos, ele foi muuuuuuuuito querido. Mas depois do meu “não”, ele fez  o  que fez. De fato, ele foi sincero. Mas não foi inteligente, e foi vou explicar o motivo.

  É a partir de atitudes assim “tudo ou nada” que vejo a paudurescência. Eu transo, tu transas, ele transa, sua vó, mãe, vó, vô,  vizinho, tiozinho da padaria transam. E falo mais: É uma delícia. Mas nem todos curtem um banquete sem antes tomar uns drinks, e comer  uns canapés antes. Serei mais clara: Qual o problema em se conhecer antes de ir pros finalmentes?  Ou existe algum significado oculto na palavra: “vamos tomar uma cerveja outro dia?”, algo que signifique relacionamento sério, casamento? Naaaada contra  o sexo casual, tanto é que já fiz.  Mas conheço poucas mulheres que aceitaram transar com alguém que mal conhece. Ok, pode acontecer, sem problemas  se for uma vontade mútua. PONTO.  Mas se não for, vira paudurescência.
   A paudurescência é aquele tipo de atitude onde nada mais importa. Apenas transar. Não importa se o (a) outro (a) quer, se a pessoa está a vontade  ou se precisa dar uma voltinha antes pra entrar no clima. É o tudo ou nada, o chega e da-lhe em seus níveis máximos. É o que  um outro carinha do tinder fez comigo. Vou explicar...Match, whatsapp, papo aqui e ali. Eu disse: “vamos  num bar?” A resposta dele: “Pra que  ir  num bar, se  podemos nos conhecer aqui em casa vendo um filme?” eu disse: “poxa, mas num bar ficamos mais descontraídos, e depois se rolar a vibe  podemos ver  o tal filme”. Ele disse: “não to a fim de bar, to a fim do filme”. Ou seja, não me importo em te conhecer, mas apenas em transar.  Ou vocês realmente acham que iríamos suuuuper conversar na casa dele, na CAMA dele? Muito menos iríamos assistir  o tal filme.
   É isso que estou falando, é isso que é “não ser inteligente”. E as pessoas que são conquistadas pela mente? Uma voz mais grossa, uma boa pegada, uns beijos quentes podem SIM provocar o tesão e a vontade de sair correndo e transar. Mas até lá, tem que rolar a “química mental”, um papo, um olhar malicioso, e etc. E foram muuuuuuuuuuuuuuuitos caras paudurescentes que conheci ano passado. Dei essa indireta pra vários, mas não adiantou.
   Ou será que esses tipos não se tocam que sexo é  uma consequência natural de toda e qualquer relação? Não é óbvio que se rola  uma química, se ambos se sentem a vontade e com vontade, o sexo vai rolar? Então porque a paudurescência?

Eis aí um mistério do planeta...

   Agora algo contrário a isso é  o Cudocismo Homo Sapiens. Aí você  conhece o cara, diz que quer transar, não necessariamente com essas palavras, mas sinaliza claramente que quer pegar o cara. E ele? Some, desaparece por  uns dias, começa a dar uma desculpa ,o famoso “se fazendo”.  Tem uma música do Chico Buarque que eu sempre canto mentalmente, quando me vejo em situações assim:  

Eu não queria jogar confete
Mas tenho que dizer
Cê tá de lascar
Cê tá de doer
E se vai continuar enrustido
Com essa cara de marido
A moça é capaz de se aborrecer...” (música deixe a menina)

    É querer confete, se gabar, se orgulhar. Parece que o cudocismo é mais prazeroso que o gozo. O fato de saber “ela me quer, ela quer me dar” satisfaz mais que a transa em si. É o que me vem em mente quando o cara me chama pra sair, o papo esquenta antes, tudo ok, tesão a mil,  e na hora ele some, arrega. Uns podem dizer: “amiga, vc virou reserva, marmita”. Então eu respondo: Se ele quer marmita, pra que fazer esse show todo de vir atrás, me seduzir pra não concluir a ação? Então é isso? Seduz, provoca e na melhor parte, parte pra  outra, pra depois voltar? Olha olha...quer delivery, mas  o buffet pode estar fechado quando voltares...
    
    Não sou a dona da razão, muuuuito menos perfeita. Mas eu penso o seguinte:  Quem quer, vai lá e faz. Nem 8 nem 80, mas ninguém vai morrer se for sincero não é? Qual o problema de querer  transar? Nenhum. Se a vontade é mútua, VAI. Mas tem que rolar a vibe, a química, afinidade.
Agora, alimentar o ego não gera orgasmo. Não que eu saiba...quer marmita? Vai botar o macarrão na panela. Quer confete? Desculpa, mas não sou carnavalesca pra ficar  jogando serpentina e aplaudindo sua passagem pela minha vida. Muito menos ainda nasci pra esperar. Nem eu e nem ninguém.
    
    Amo homens diretos. Mas eu disse, DIRETOS e não paudurescentes. Agora, meninos cudocistas eu não tenho saco. Repito  o que já escrevi: ninguém é  obrigado a transar comigo ou me querer, so porque eu quero. Não é isso que estou dizendo, muito menos  o que defendo em meu texto. Mas provocou? Me deixou a fim? Conclui a ação. Conheceu outra? Mudou de ideia? Seja sincero, fale a verdade. Tudo bem, acontece, é a vida. Acho que essa é a diferença entre homens e meninos.Mas me fazer de reserva pra preencher ego carente, dá licença que não tô aqui pra depois.