Esse texto não é
um manifesto, muito menos um
escrito com tendência sexista. Apenas algumas percepções de alguém que
descobriu, ou melhor, denominou algumas atitudes recorrentes de alguns homens.
Esse texto pode ser, talvez, uma forma de tentar entender a pressa de algumas pessoas,
e também, quais atitudes não são nem um pouco sexys, agradáveis ou saudáveis, quando o assunto é
relacionamento. Como sou uma mulher, heterossexual, as denominações presentes
no título e texto, se referem aos homens. Mas certamente existem mulheres que
possuam essas características. Não sei se alguém “inventou” antes de mim esses termos “paudurescência” e “cudocismo”,
mas de qualquer forma, vou explicá-las a minha maneira.
Vou começar com um história real, vivida por mim, fato este que chamo de “o dia que disse
tudo o que queria dizer a um cara”: Estava numa festa e um barbudinho LINDO se aproximou de mim, puxando papo. Repito, LINDO. Papo aqui e
ali, ficamos. No meio dos apertos ele me convida pra ir embora e transar. Digo
que não posso e dou uma desculpa. Obs: Não foi por moralismo, mas não me senti
a vontade em transar com um cara que mal conhecia. Para a minha surpresa, ele
saiu. Simplesmente saiu e parou de me beijar e falar comigo. Antes disso tudo,
eu disse a ele: ‘hoje não dá, mas
podemos combinar algo outro dia”. Não adiantou e a reação dele foi essa
que citei. Eu poderia ter ficado puta, poderia ter me sentido um lixo, poderia
ter mudado de ideia e ir transar com
ele.
Mas não. Pela primeira vez falei tudo o que queria
dizer em resposta a essa tendência do “tudo ou nada” de alguns caras que
conheci. Fui atrás do barbudinho, e falei: “escuta, pra vc é tudo ou nada?” Ele
respondeu que sim com a cabeça, e complementei: “você não é inteligente. Poderia
conseguir tudo o que quer, se usasse
mais a cabeça (de cima).” Dei um sorrisinho e saí. Oras, quer dizer então que
sou uma vagina gigante? É tudo ou nada? Ou faço o que ele quer, do jeito que
ele quer ou caso contrário, sou descartada como uma garrafa de plástico?
Já aviso: Ninguém é
obrigado a transar com ninguém, nem comigo. Nem o tal carinha aí. PONTO.
Minha “revolta” se refere a atitude. Antes de nos pegarmos, ele foi
muuuuuuuuito querido. Mas depois do meu “não”, ele fez o que
fez. De fato, ele foi sincero. Mas não foi inteligente, e foi vou explicar o
motivo.
É a partir de atitudes assim “tudo ou nada” que
vejo a paudurescência. Eu transo, tu transas, ele transa, sua vó, mãe, vó, vô, vizinho, tiozinho da padaria transam. E falo
mais: É uma delícia. Mas nem todos curtem um banquete sem antes tomar uns
drinks, e comer uns canapés antes. Serei
mais clara: Qual o problema em se conhecer antes de ir pros finalmentes? Ou existe algum significado oculto na palavra:
“vamos tomar uma cerveja outro dia?”, algo que signifique relacionamento sério,
casamento? Naaaada contra o sexo casual,
tanto é que já fiz. Mas conheço poucas
mulheres que aceitaram transar com alguém que mal conhece. Ok, pode acontecer,
sem problemas se for uma vontade mútua.
PONTO. Mas se não for, vira
paudurescência.
A paudurescência é aquele tipo de atitude onde nada
mais importa. Apenas transar. Não importa se o (a) outro (a) quer, se a pessoa
está a vontade ou se precisa dar uma
voltinha antes pra entrar no clima. É o tudo ou nada, o chega e da-lhe em seus
níveis máximos. É o que um outro carinha
do tinder fez comigo. Vou explicar...Match, whatsapp, papo aqui e ali. Eu disse:
“vamos num bar?” A resposta dele: “Pra
que ir
num bar, se podemos nos conhecer
aqui em casa vendo um filme?” eu disse: “poxa, mas num bar ficamos mais
descontraídos, e depois se rolar a vibe
podemos ver o tal filme”. Ele
disse: “não to a fim de bar, to a fim do filme”. Ou seja, não me importo em te
conhecer, mas apenas em transar. Ou
vocês realmente acham que iríamos suuuuper conversar na casa dele, na CAMA
dele? Muito menos iríamos assistir o tal
filme.
É isso que estou falando, é isso que é “não ser
inteligente”. E as pessoas que são
conquistadas pela mente? Uma voz mais grossa, uma boa pegada, uns beijos
quentes podem SIM provocar o tesão e a vontade de sair correndo e transar. Mas
até lá, tem que rolar a “química mental”, um papo, um olhar malicioso, e etc. E
foram muuuuuuuuuuuuuuuitos caras paudurescentes que conheci ano passado. Dei
essa indireta pra vários, mas não adiantou.
Ou será que esses tipos não se tocam que sexo
é uma consequência natural de toda e
qualquer relação? Não é óbvio que se rola
uma química, se ambos se sentem a vontade e com vontade, o sexo vai
rolar? Então porque a paudurescência?
Eis aí um mistério do planeta...
Agora algo contrário a isso é o Cudocismo Homo Sapiens. Aí você conhece o cara, diz que quer transar, não necessariamente
com essas palavras, mas sinaliza claramente que quer pegar o cara. E ele? Some,
desaparece por uns dias, começa a dar
uma desculpa ,o famoso “se fazendo”. Tem
uma música do Chico Buarque que eu sempre canto mentalmente, quando me vejo em
situações assim:
“Eu não queria jogar confete
Mas tenho que dizer
Cê tá de lascar
Cê tá de doer
E se vai continuar enrustido
Com essa cara de marido
A moça é capaz de se aborrecer...” (música
deixe a menina)
É querer confete, se gabar, se orgulhar. Parece que
o cudocismo é mais prazeroso que o gozo. O fato de saber “ela me quer, ela quer
me dar” satisfaz mais que a transa em si. É o que me vem em mente quando o cara
me chama pra sair, o papo esquenta antes, tudo ok, tesão a mil, e na hora ele some, arrega. Uns podem dizer: “amiga,
vc virou reserva, marmita”. Então eu respondo: Se ele quer marmita, pra que
fazer esse show todo de vir atrás, me seduzir pra não concluir a ação? Então é
isso? Seduz, provoca e na melhor parte, parte pra outra, pra depois voltar? Olha olha...quer
delivery, mas o buffet pode estar
fechado quando voltares...
Não sou a dona da razão, muuuuito menos perfeita. Mas
eu penso o seguinte: Quem quer, vai lá e
faz. Nem 8 nem 80, mas ninguém vai morrer se for sincero não é? Qual o problema
de querer transar? Nenhum. Se a vontade
é mútua, VAI. Mas tem que rolar a vibe, a química, afinidade.
Agora, alimentar o ego não gera orgasmo. Não que eu
saiba...quer marmita? Vai botar o macarrão na panela. Quer confete? Desculpa,
mas não sou carnavalesca pra ficar jogando serpentina e aplaudindo sua passagem
pela minha vida. Muito menos ainda nasci pra esperar. Nem eu e nem ninguém.
Amo homens diretos. Mas eu disse, DIRETOS e não
paudurescentes. Agora, meninos cudocistas eu não tenho saco. Repito o que já escrevi: ninguém é obrigado a transar comigo ou me querer, so
porque eu quero. Não é isso que estou dizendo, muito menos o que defendo em meu texto. Mas provocou? Me deixou
a fim? Conclui a ação. Conheceu outra? Mudou de ideia? Seja sincero, fale a
verdade. Tudo bem, acontece, é a vida. Acho que essa é a diferença entre homens
e meninos.Mas me fazer de reserva pra preencher ego carente,
dá licença que não tô aqui pra depois.