Eu achava que minha primeira
relação casual tivesse sido com o barbudex. Mas fazendo uma retrospectiva, isso
aconteceu “meio que sem querer”, lá em 2010.
Eu gosto muito de cinema. E se
existe “Maria do cinema”, assim como “Maria chuteira”, essa sou eu.
Definitivamente!!! Não por interesse financeiro ou status, como seria o caso das chuteiras aí, mas porque simplesmente além de eu ser uma cinéfila de carteirinha, gosto mesmo de
caras com esse ar mais “Cult”, intelectual, despojado. Sabe estilo barba mal
feita? Óculos com armação preta, e tênis all star, uma mistura de Johnny Depp, Robert
Pattinson e Jared Followill do Kings of Leon? Então... assim!! E se o
cara gostar de cinema, já ganhou minha simpatia. Se trbalhar ou estudar na
área....meu senso de “maria claquete” é ativado.
Como curto a sétima arte, já
peguei umas matérias no curso de cinema. E numa dessas conheci o portuga. Ele é
português (dãã), estudante de cinema, estava no Brasil como intercambista e assim como eu,
era “novo” na turma de cinema. Ele é LINDO, simpático, barbudo e exatamente do
jeito que eu gosto! E-X-A-T-A-M-E-N-T-E. O acaso nos fez aproximar, e num
encontro na biblioteca para fazer um
trabalho de faculdade, ele me convidou para ir ao cinema. Na hora disfarcei o
entusiasmo (já estava a fim dele) e aceitei. Como boa brasileira, sei que
se um cara me chama para ir ao cinema
(por mais que ele queira assistir ao filme) obviamente ele tem segundas
intenções. Bom, lá fomos nós, vimos o
filme e...nada! fiquei decepcionada, mas
ok. Dias depois fui viajar e mesmo assim, resolvi dar mole pra ele via
mensagem direta no facebook (essa era nossa comunicação fora da aula). Eu disse que curti o encontro, e que queria
conhecer ele melhor. Dias depois ele responde que queria me ver novamente e me conhecer melhor, e ainda por
cima me elogiou em fotos. Achei que ele estava
no “papo”.
Semanas depois já de volta a
cidade, marcamos outra ida ao cinema
e....nada! Fiquei decepcionada DE NOVO , e achei que estava confundindo os
sinais e desabafei no meu twitter (É, EU
TINHA TWITTER) que...oooops! publicou automaticamente a mensagem no facebook e
ooops ele leu....!!!! Eu havia dito algo do tipo que eu poderia ser menos
tímida e ter coragem de demonstrar o que quero. No ato ele me manda msg no
facebook e pergunta se ele “perdeu algo”, bom então falei né...que ele me chama
a atenção e que talvez eu pudesse querer algo a mais...ele respondeu na hora
dizendo que ele queria o mesmo. BINGO!
Marcamos encontro no dia
seguinte e papo vem, papo vai e ele NADA
(assim como eu, é tímido também). Tá né... puxei o assunto e ele explicou a
situação dele no Brasil era temporária, que estava a fim de ficar comigo, mas que não poderia se
relacionar pois ele iria embora. Ele
disse também que tinha receio de me machucar. Como estávamos num bar, o som e barulho era alto eu não
escutei quando ele propôs o “amigos com benefícios”. Ele disse essa gíria em
inglês, e como não entendo nada desse
idioma e o barulho ao redor alto e eu só
pensava em beijar ele, nem dei bola pra frase e apenas disse que não estava
interessada também em relacionamento serio.
Disse apenas que queria uma amizade “colorida” e conhecer ele melhor.
Então ficamos, foi legal, melhor do que esperava, não é que o
portuga tem pegada?
Mas na hora de ir embora ele
simplesmente colocou as mãos no bolso. Achei estranho, como assim ele me beija,
me abraça na frente de outras pessoas, mas não pega na minha mão? Fiquei quieta
apenas observando as atitudes dele. Na
hora de dar tchau, ele veio para me dar um beijo NO ROSTO!!! OI? Virei e beijei-o na boca e ainda disse: não!
Na boca!! Ele pareceu assustado, mas não falou nada. Eu também não entendi nada
e comecei a achar ele um babaca. Fui
embora ao mesmo tempo feliz em ter pegado o portuga gato, mas também achando
ele um idiota e grosseiro. Dois dias depois ele surge via facebook e pergunta
como estou e tal e diz: “desculpa se estou parecendo um pouco frio, mas ficou
claro que somos amigos com benefícios?” HÃ? Amigos com benefícios? que isso?
Não entendi o que ele quis dizer, e foi então que lembrei que na noite em que
ficamos ele havia pronunciado uma gíria em inglês “Friends with
Benefits”. Sem saber ao certo o que era já não gostei... deduzi muito bem o que seria esse “benefício”, ainda mais porque dei uma pesquisada na internet.
Não sou careta, nem nada, nem um pouco
puritana, lógico que sexo faz parte da minha vida, mas negociar umas transadas
de vez em quando soa meio artificial pra mim, meio mulher objeto. Isso até
poderia acontecer, lógico que estava louca para transar com ele, mas o fato de
falar sobre isso, de combinar me incomoda. Acho que essas coisas rolam, essas
vontades ficam implícitas e hora marcada pra sexo perde a graça. Além do
mais o cara é estrangeiro e pensei que a
ideia dele de mulher brasileira, poderia estar errada e xinguei (mentalmente)
muito ele. Quem esse portuga pensa que é? Expliquei que não conhecia essa gíria, mas que o que entendi é que estávamos
nos conhecendo melhor, sem relacionamento sério. O problema foi que resolvi
dizer que aqui no Brasil, esse “esquema” envolve certos afetos como mãos dadas e beijo na boca
em cumprimentos. Bom, foi uma maneira indireta que encontrei para explicar o mal estar da despedida e também de me
“queixar” da frieza dele.
Então ele não
entendeu nada e achou que isso era o
mesmo que namorar e isso ele não queria. Sabe
o que ganhei de brinde? um fora. Sim, um fora via facebook. Fiquei chateada, ainda mais porque queríamos
a mesma coisa, mas não estávamos sabendo dialogar isso. Bem, por mim não
precisaria nem falar nada, já estava implícito que a gente estava só ficando,
ou na gíria brasileira se pegando mesmo.
Eu sabia que ele não passaria de um
peguete. Mas como ele quis esclarecer isso...deu no que deu. Continuamos a nos
falar normalmente e um dia saímos pra tomar café e colocamos tudo em pratos
limpos. Expliquei que não queria namorar nem nada sério e que aqui no Brasil as
pessoas se envolvem naturalmente, trocam carinho em público sem que isso
signifique algo. Além do mais, fiz questão de dizer que não temos o hábito de definir regras e dialogar sobre
isso, não pelo menos precocemente. Não pelo menos pra mim, ou então eu sou
desencana demais. Ele entendeu e disse
que lá na Europa é normal definir regras
logo no início (que estranho) e que carinhos em público significam namoro sério
(eu hein).
Devo confessar
que uma amiga minha já havia me alertado, ela está fazendo pós em Portugal e
disse que lá é assim. Bom, diferenças culturais a parte, o café acabou e não
rolou nada. A questão é que poucos dias depois ele iria embora e queria me
despedir dele, afinal, confusões a parte ele se tornou um amigo. Temos muitas afinidades. Lá fomos nós para despedida, filme, pizza e
eu esqueci de contar que eu tinha um
plano. Jura que esse portuga gato, gente boa (embora esquisito na questão
cultural), com pegada, ia embora sem o grand finale? Não, não. Fui
disposta a dar pra ele. Dei umas indiretas, ok, ok diretas. Disse que não
tínhamos nada a perder e que a despedida poderia ser bem melhor. Ele entendeu e
devo dizer que foi a melhor despedida da minha vida! Com direito a bis e tudo!
Depois, cansados haha, ele disse que
desde o
inicio estava a fim de mim e veja
só, ele achou que eu é que não estava nem aí pra ele!! Rimos muito de toda essa
confusão e nos despedimos com sorrisos, abraços e com beijo na boca. Sim, o
beijei na boca e ainda disse brincando: não estou te pedindo em casamento. Ele
riu, e se foi. Até hoje mantemos a amizade, quase toda semana trocamos mensagem
via internet.
Tááá sei que tudo
poderia ser beeeeem mais aproveitado se não fosse esse jeito dele, e meu lado
complexo de ser. Ainda assim, foi uma história legal e juro que achei que tinha
achado o cara da minha vida. QUASE acertei. E aí fica aquele veeeeelha dúvida se de fato ele seria, caso não tivesse ido embora...Eu e minha sina de caras que vão embora...
Como foi especial esse cara... ai ai