terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O portuga e o tal “Friends with Benefits”.



Eu achava que minha primeira relação casual tivesse sido com o barbudex. Mas fazendo uma retrospectiva, isso aconteceu “meio que sem querer”, lá em 2010.  
Eu gosto muito de cinema. E se existe “Maria do cinema”, assim como “Maria chuteira”, essa sou eu. Definitivamente!!! Não por interesse financeiro ou status, como seria  o caso das chuteiras aí, mas  porque simplesmente além de eu ser  uma cinéfila de carteirinha, gosto mesmo de caras com esse ar mais “Cult”, intelectual, despojado. Sabe estilo barba mal feita? Óculos com armação preta, e tênis all star, uma mistura de Johnny Depp, Robert Pattinson e Jared Followill do Kings of Leon? Então... assim!! E se o cara gostar de cinema, já ganhou minha simpatia. Se trbalhar ou estudar na área....meu senso de “maria claquete” é ativado.
Como curto a sétima arte, já peguei umas matérias no curso de cinema. E numa dessas conheci o portuga. Ele é português (dãã), estudante de cinema,  estava  no Brasil como intercambista e assim como eu, era “novo” na turma de cinema. Ele é LINDO, simpático, barbudo e exatamente do jeito que eu gosto! E-X-A-T-A-M-E-N-T-E. O acaso nos fez aproximar, e num encontro na biblioteca para fazer  um trabalho de faculdade, ele me convidou para ir ao cinema. Na hora disfarcei o entusiasmo (já estava a fim dele) e aceitei. Como boa brasileira, sei que se  um cara me chama para ir ao cinema (por mais que ele queira assistir ao filme) obviamente ele tem segundas intenções. Bom, lá fomos nós, vimos  o filme e...nada! fiquei decepcionada, mas  ok. Dias depois fui viajar e mesmo assim, resolvi dar mole pra ele via mensagem direta no facebook (essa era nossa comunicação fora da aula). Eu  disse que curti o encontro, e que queria conhecer ele melhor. Dias depois ele responde que queria me ver  novamente e me conhecer melhor, e ainda por cima me elogiou em fotos. Achei que ele estava  no “papo”.
Semanas depois já de volta a cidade, marcamos  outra ida ao cinema e....nada! Fiquei decepcionada DE NOVO , e achei que estava confundindo os sinais e desabafei no meu twitter  (É, EU TINHA TWITTER) que...oooops! publicou automaticamente a mensagem no facebook e ooops ele leu....!!!! Eu havia dito algo do tipo que eu poderia ser menos tímida e ter coragem de demonstrar o que quero. No ato ele me manda msg no facebook e pergunta se ele “perdeu algo”, bom então falei né...que ele me chama a atenção e que talvez eu pudesse querer algo a mais...ele respondeu na hora dizendo que ele queria  o mesmo. BINGO!
Marcamos encontro no dia seguinte e  papo vem, papo vai e ele NADA (assim como eu, é tímido também). Tá né... puxei o assunto e ele explicou a situação dele no Brasil era temporária, que estava a fim de  ficar comigo, mas que não poderia se relacionar pois ele iria embora. Ele  disse também que tinha receio de me machucar. Como estávamos  num bar, o som e barulho era alto eu não escutei quando ele propôs o “amigos com benefícios”. Ele disse essa gíria em inglês, e  como não entendo nada desse idioma e  o barulho ao redor alto e eu só pensava em beijar ele, nem dei bola pra frase e apenas disse que não estava interessada também em relacionamento serio.  Disse apenas que queria uma amizade “colorida” e conhecer ele melhor. Então ficamos, foi legal, melhor do que esperava, não é  que  o portuga tem pegada?
Mas na hora de ir embora ele simplesmente colocou as mãos no bolso. Achei estranho, como assim ele me beija, me abraça na frente de outras pessoas, mas não pega na minha mão? Fiquei quieta apenas  observando as atitudes dele. Na hora de dar tchau, ele veio para me dar um beijo NO ROSTO!!! OI?  Virei e beijei-o na boca e ainda disse: não! Na boca!! Ele pareceu assustado, mas não falou nada. Eu também não entendi nada e comecei a achar ele  um babaca. Fui embora ao mesmo tempo feliz em ter pegado o portuga gato, mas também achando ele um idiota e grosseiro. Dois dias depois ele surge via facebook e pergunta como estou e tal e diz: “desculpa se estou parecendo um pouco frio, mas ficou claro que somos amigos com benefícios?” HÃ? Amigos com benefícios? que isso? Não entendi o que ele quis dizer, e foi então que lembrei que na noite em que ficamos ele havia pronunciado uma gíria em inglês “Friends with Benefits”. Sem saber ao certo o que era já não gostei... deduzi muito bem  o que seria esse “benefício”, ainda mais  porque dei uma pesquisada na internet.
 Não sou careta, nem nada, nem um pouco puritana, lógico que sexo faz parte da minha vida, mas negociar umas transadas de vez em quando soa meio artificial pra mim, meio mulher objeto. Isso até poderia acontecer, lógico que estava louca para transar com ele, mas o fato de falar sobre isso, de combinar me incomoda. Acho que essas coisas rolam, essas vontades ficam implícitas e hora marcada pra sexo perde a graça. Além do mais  o cara é estrangeiro e pensei que a ideia dele de mulher brasileira, poderia estar errada e xinguei (mentalmente) muito ele. Quem esse portuga pensa que é? Expliquei que não conhecia  essa gíria, mas que o que entendi é que estávamos nos conhecendo melhor, sem relacionamento sério. O problema foi que resolvi dizer que aqui no Brasil, esse “esquema” envolve  certos afetos como mãos dadas e beijo na boca em cumprimentos. Bom, foi uma maneira indireta que encontrei para explicar  o mal estar da despedida e também de me “queixar” da frieza dele.
Então ele não entendeu nada e achou que isso era  o mesmo que namorar e isso ele não queria. Sabe  o que ganhei de brinde? um fora. Sim, um fora via facebook.  Fiquei chateada, ainda mais porque queríamos a mesma coisa, mas não estávamos sabendo dialogar isso. Bem, por mim não precisaria nem falar nada, já estava implícito que a gente estava só ficando, ou  na gíria brasileira se pegando mesmo. Eu sabia que ele não passaria de  um peguete. Mas como ele quis esclarecer isso...deu no que deu. Continuamos a nos falar normalmente e um dia saímos pra tomar café e colocamos tudo em pratos limpos. Expliquei que não queria namorar nem nada sério e que aqui no Brasil as pessoas se envolvem naturalmente, trocam carinho em público sem que isso signifique algo. Além do mais, fiz questão de dizer que não temos  o hábito de definir regras e dialogar sobre isso, não pelo menos precocemente. Não pelo menos pra mim, ou então eu sou desencana demais.  Ele entendeu e disse que lá na Europa  é normal definir regras logo no início (que estranho) e que carinhos em público significam namoro sério (eu hein).
Devo confessar que uma amiga minha já havia me alertado, ela está fazendo pós em Portugal e disse que lá é assim. Bom, diferenças culturais a parte, o café acabou e não rolou nada. A questão é que poucos dias depois ele iria embora e queria me despedir dele, afinal, confusões a parte ele se tornou um amigo. Temos  muitas afinidades.  Lá fomos nós para despedida, filme, pizza e eu esqueci de contar que eu tinha  um plano. Jura que esse portuga gato, gente boa (embora esquisito na questão cultural),  com pegada,  ia embora sem o grand finale? Não, não. Fui disposta a dar pra ele. Dei umas indiretas, ok, ok diretas. Disse que não tínhamos nada a perder e que a despedida poderia ser bem melhor. Ele entendeu e devo dizer que foi a melhor despedida da minha vida! Com direito a bis e tudo! Depois, cansados haha,  ele disse que desde  o  inicio estava a fim de  mim e veja só, ele achou que eu é que não estava nem aí pra ele!! Rimos muito de toda essa confusão e nos despedimos com sorrisos, abraços e com beijo na boca. Sim, o beijei na boca e ainda disse brincando: não estou te pedindo em casamento. Ele riu, e se foi. Até hoje mantemos a amizade, quase toda semana trocamos mensagem via internet.

Tááá sei que tudo poderia ser beeeeem mais aproveitado se não fosse esse jeito dele, e meu lado complexo de ser. Ainda assim, foi uma história legal e juro que achei que tinha achado o cara da minha vida. QUASE acertei. E aí fica aquele veeeeelha dúvida se de fato ele seria, caso não tivesse ido embora...Eu e minha sina de caras que vão embora...
Como foi especial esse cara... ai ai

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