terça-feira, 19 de setembro de 2017

Sobre e sob amor

O que é  o amor? Que pergunta tola, né? Mas esses dias me peguei pensando nisso e aí lendo o Carlos Drummond de Andrade, achei isso aqui:

Quero

Quero que todos os dias do ano todos os dias da vida de meia em meia hora de 5 em 5 minutos me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo, creio, no momento, que sou amado. No momento anterior e no seguinte, como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão que me amas que me amas que me amas. Do contrário evapora-se a amação pois ao não dizer: Eu te amo, desmentes apagas teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado. Não exijo senão isto, isto sempre, isto cada vez mais. Quero ser amado por e em tua palavra nem sei de outra maneira a não ser esta de reconhecer o dom amoroso, a perfeita maneira de saber-se amado: amor na raiz da palavra e na sua emissão, amor saltando da língua nacional, amor feito som vibração espacial.
No momento em que não me dizes: Eu te amo, inexoravelmente sei que deixaste de amar-me, que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido Eu te amoamoamoamoamo, verdade fulminante que acabas de desentranhar, eu me precipito no caos, essa coleção de objetos de não-amor.


Carlos Drummond de Andrade


            Sei o que talvez você esteja pensando: que piegas, que brega, que melação. 5 em 5 minutos?! Não siga à risca, mas perceba a intenção da poesia. Dizer, mostrar, falar, RECIPROCIDADE. Mas acho que  o amor deve ser exposto, com vontade, com verdade. Ou então, não é amor. 

Gosto de liberdade





     
        Esse tem que ser lido ao som do Di Melo, link no youtube aí. Não me pergunte  o motivo, mas lembro dele quando ouço a música. Liberdade, libertinagem, ousadia, putaria e sacanagem. Aqui estamos, dentro e  por fora, dentro e fora, dentro e fora, fora e dentro, escorrega, entra e sai. Na boca, na perna, no sexo.  Ainda lembro com exatidão o gosto e cheiro. De tudo, de cada parte. Não pense que isso represente algo romântico, mas um bem-estar, uma lembrança boa, com gosto de “liberdade”.
        Estudamos juntos. Mesmo curso, mesma faculdade, mas em turmas diferentes. Na verdade eu lembrava dele da época do cursinho, nos tempos em que eu ainda queria fazer cinema...Depois o vi na faculdade e aquele ar de mistério que ele carrega sempre me interessou. Via ele em festas, sempre com o cigarro numa mão, e a cerveja na outra. Barba mal feita, cabelo bagunçado. Culto, de esquerda, assim que eu gosto. Sabia das “coisas” dele por meio de amigos em comum: do dia que ele subiu numa caixa de som para pegar uma conhecida, de quando ele bebeu todas e ficou jogado por aí. Ele tem uma coisa, não sei definir, mas tem e isso sempre me atraiu. Eu olho pra ele e tenho vontade de tirar a roupa, de transar na rua, na praia e de fazer tudo aquilo que dá vontade.
       O tempo passou, nada rolou até que um belo dia, no tinder....match! “Oi, tudo bem? Acho que nos conhecemos...” “sim, vc não é a fulana?” “E vc o beltrano...”. Papo vem, papo vai...encontro. Puta merda, ele, o misterioso, charmoso, gostoso, tesão. Conversamos como bons amigos, bebemos, rimos do quanto era curioso sairmos naquele contexto:  aplicativo, sendo que estudamos “juntos”. Confesso que ele me surpreendeu, pois eu ainda tinha a imagem daquele cara que não quer nada com nada. A noite ia terminando até que sugeri mais uma volta. Sério, que eu ia embora sem pegar o cara? AH TÁ. Nos pegamos, não lembro o porquê não transamos. Coisa minha certamente...
        Tempo passou, papo aqui e ali, segundo encontro. Barzinho perto da universidade, papos sobre masterchef, tv, política, “ah, vamos um dia cozinhar juntos” “vamos”. E então vi que ele era um cara normal, mais normal do que aquele que existia na minha imaginação. Então a conversa de cozinha me cansou, ele percebeu, deu um “chega junto” e fomos para  o carro. Ahhh daí o clima esquentou, um vulcão, terremoto, tudo junto e misturado. Delícia, mas onde transar? Na minha casa família presente, na dele também...Até  que...adentramos a universidade e ali foi.
        Sabe  o que acho foda? Mais foda que a foda? Quando (com a minha permissão) me pegam com força e me chamam de gostosa. E ele disse em alto e bom som “vc me deixa louco”. Então era isso! isso que eu queria. Peguei, dei com vontade, gozei e fim. Isso, pra mim, é me sentir empoderada. Fazer o que quero, com respeito e liberdade.

LIBERDADE.

       Gratidão, querido “gosto de liberdade”, cujo o nome rima com o anjo Gabriel, mas de santidade não tem nada. Ainda bem, pois sou ateia.



domingo, 3 de setembro de 2017

Ruivo - The End.


Lembram do Ruivo?

        Pois então...desde minhas últimas postagens, eu estava na expectativa se ele iria voltar dos EUA ou não, se iríamos nos ver  ou não. Ele voltou, mas antes disso trocou inúmeras mensagens fofas comigo. Assim, não sei se fofas ou se para  uma cabeça com boa imaginação e coração carente, foi interpretado dessa forma. Ele chegou e dois dias depois a gente se viu. Lembro-me até hoje do meu nervosismo ao descer a escada do prédio, o abraço apertado que demos quando nos vimos. Aviso 💣 essa não é uma história de amor. Sory pelo spoiler, mas se há alguém minimamente apaixonada lendo isso pode já estar suspirando. Pare, e leia com a razão. Bom, continuando....
      Fomos  num restaurante mexicano bem bacana, papos em dia, olhares profundos e carinhos. Ele pagou a conta, eu penso "nossa que cavalheiro". Vale dizer que nessa época eu ainda não conhecia  o feminismo, e reproduzia o machismo. Logo, achei que esse ato dele representaria algo como "tô a fim de vc", ai que tola...Depois fomos dar umas voltas por aí e acabamos no motel. Foi incrível, com ele sempre foi. Mas sabe aquela  Maldição do quase? que sempre da merda? Pois bem, deu. Mas devo dizer que contribuí muito para isso. Lá vai...
    Eu pelada ele também. Tínhamos que ir embora, eu me levanto e começo a me vestir. Então eu penso: "é agora" e com uma coragem de não sei da onde eu começo a falar, falar, e falar. Ele não entende nada, nem eu e nem vc que está aí lendo. Mas eu meio que....que...me declarei. Maldita geminiana, que fala sem pensar. Resumidamente eu disse que não queria nada casual e ele me responde "quem disse que isso foi casual?". Ainda assim, assustei ele tanto que nos dias seguintes eu fiquei na nóia e ele não me deu bola. Na real ele me procurava quando queria, mas eu, presa num amor romântico que não existia, achava que um dia ele iria ver como sou maravilhosa....doce ilusão.
    A gente até se viu depois, umas 3  ou 4 vezes sempre no mesmo combo: Cineminha, barzinho e motel. Os melhores motéis da cidades, quartos com banheira, teto solar e putaria. A minha ficha de que ele só queria sexo caiu quando o convidei para meu aniversário. Além dele não ir, sequer me deu parabéns. Doeu, doeu pra caralho. Como assim meu? Me come e nem para me desejar parabéns? aí depois disso me desliguei dele.
    Mas como todo fênix ele ressurgia de vez em quando e até no tinder rolava match de novo. E o certificado de babaca do ano veio quando ele começou a namorar e CONTINUOU NO TINDER. Depois peguei outros caras e a imagem que eu tinha dele - lindo, barbudo, jogador de futebol americano - ruiu. Postagens dele no facebook totalmente reaça e machista, Aí, deletei ele e a vida seguiu.

Olar!

Olar!


      Acho que voltei. 

    Um misto de curiosidade, emoção e nervosismo. Tanta coisa aconteceu nesses dois anos! Um amadurecimento, novos pensamentos (feminismo), amores, desamores e...é. Acho que achei O CARA, não sou mais a “quase”. Eu não gosto de gritar felicidade na janela, pois sempre há inveja, ainda mais para quem sempre foi azarada nesse quesito de amor. Assim que possível falarei sobre ele, pois ele merece uma atenção especial, logo, um post DAQUELES. Mas por enquanto voltemos ao passado, pois desde minha última postagem muita coisa rolou. TIPO, MUITA.