terça-feira, 19 de setembro de 2017

Gosto de liberdade





     
        Esse tem que ser lido ao som do Di Melo, link no youtube aí. Não me pergunte  o motivo, mas lembro dele quando ouço a música. Liberdade, libertinagem, ousadia, putaria e sacanagem. Aqui estamos, dentro e  por fora, dentro e fora, dentro e fora, fora e dentro, escorrega, entra e sai. Na boca, na perna, no sexo.  Ainda lembro com exatidão o gosto e cheiro. De tudo, de cada parte. Não pense que isso represente algo romântico, mas um bem-estar, uma lembrança boa, com gosto de “liberdade”.
        Estudamos juntos. Mesmo curso, mesma faculdade, mas em turmas diferentes. Na verdade eu lembrava dele da época do cursinho, nos tempos em que eu ainda queria fazer cinema...Depois o vi na faculdade e aquele ar de mistério que ele carrega sempre me interessou. Via ele em festas, sempre com o cigarro numa mão, e a cerveja na outra. Barba mal feita, cabelo bagunçado. Culto, de esquerda, assim que eu gosto. Sabia das “coisas” dele por meio de amigos em comum: do dia que ele subiu numa caixa de som para pegar uma conhecida, de quando ele bebeu todas e ficou jogado por aí. Ele tem uma coisa, não sei definir, mas tem e isso sempre me atraiu. Eu olho pra ele e tenho vontade de tirar a roupa, de transar na rua, na praia e de fazer tudo aquilo que dá vontade.
       O tempo passou, nada rolou até que um belo dia, no tinder....match! “Oi, tudo bem? Acho que nos conhecemos...” “sim, vc não é a fulana?” “E vc o beltrano...”. Papo vem, papo vai...encontro. Puta merda, ele, o misterioso, charmoso, gostoso, tesão. Conversamos como bons amigos, bebemos, rimos do quanto era curioso sairmos naquele contexto:  aplicativo, sendo que estudamos “juntos”. Confesso que ele me surpreendeu, pois eu ainda tinha a imagem daquele cara que não quer nada com nada. A noite ia terminando até que sugeri mais uma volta. Sério, que eu ia embora sem pegar o cara? AH TÁ. Nos pegamos, não lembro o porquê não transamos. Coisa minha certamente...
        Tempo passou, papo aqui e ali, segundo encontro. Barzinho perto da universidade, papos sobre masterchef, tv, política, “ah, vamos um dia cozinhar juntos” “vamos”. E então vi que ele era um cara normal, mais normal do que aquele que existia na minha imaginação. Então a conversa de cozinha me cansou, ele percebeu, deu um “chega junto” e fomos para  o carro. Ahhh daí o clima esquentou, um vulcão, terremoto, tudo junto e misturado. Delícia, mas onde transar? Na minha casa família presente, na dele também...Até  que...adentramos a universidade e ali foi.
        Sabe  o que acho foda? Mais foda que a foda? Quando (com a minha permissão) me pegam com força e me chamam de gostosa. E ele disse em alto e bom som “vc me deixa louco”. Então era isso! isso que eu queria. Peguei, dei com vontade, gozei e fim. Isso, pra mim, é me sentir empoderada. Fazer o que quero, com respeito e liberdade.

LIBERDADE.

       Gratidão, querido “gosto de liberdade”, cujo o nome rima com o anjo Gabriel, mas de santidade não tem nada. Ainda bem, pois sou ateia.



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